diários, fragmentos

a voz paralela

(L. deita na cama o asco que pareço causar

tudo em mim está podre e delinquido
esforço para explicar
o ponto sem-retorno, a fala é a emoção já exausta)
não se toma de alguém a sombra diante da insuficiência

é porque não se reconhece
e não existe mais sujeição
quando na erradicação do afeto
há um momento em particular que define o aguaceiro
– desce a todo ímpeto, levando consigo as memórias
derretidas pelo calor da desesperação
– que os traumas são rios de espasmos a escorrer
tentar anular o sofrimento tempestivo que insurge
não o sei e jamais terei a totalizante sabedoria de vida da qual tanto se fala

quando pergunta finjo ter dentro a elevação das coisas, a beleza
não mata a fome – finjo compreender a origem dessa sujeição
da qual tanto se orgulha

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matar a fome apenas solapa a guerrilha febril e necessária
a voz paralela não obedece limites e aceitar esse redemoinho sangrento é a declaração de não-paz, afirmar a força destruidora nos habitante:
sucumbir às artimanhas da guerra histérica, mesmo estando em pedaços, jamais extraditar o espírito dilacerante
se comunica apenas com o desespero

a fala e sua voz e suas palavras agudas – violino ensandecido atravessando a montanha-borda
olhar-fônico reverberando picos em que o difícil encontro congela na falhura das mãos separadas

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