difusão, pensamentos

O raio exterior

in-ser

Cada gesto, um batimento cardíaco. Cada respiração, uma navalha indizível. Os dias se seguem com uma rapidez isenta de oxigênio. Observar a si mesmo através de um espelho esmagado por si próprio, ajustar a coluna, torcer a clavícula, injetar a preciosa peça que é a verdade. A mais dobrável, a mais propagada, numerada, declarada, injetar o que chamam de verdade, injetar o que chamam de verdade, injetar o que chamam de verdade,  injetar o que chamam de verdade

Cada olhar, um abismo que exaspera. Observar a si mesmo através dum espelho em prisma esmagado por ele próprio, ajustar a coluna, cortar a cabeça, beber o sêmen!

Observar a si mesmo através dum espelho transversal, cofre ensanguentado que se despenca, injeta a verdade, que se torce, ornamenta a face

Ou se vive em pleno ponto sem-retorno ao buscar a marcha-ré, e morre e contempla, e vive ao viver buscando-se na catástrofe.

Estando parado! Estando imóvel ao estar cercado! Correndo, não me rendo! Parado, desfio! Dentro dos ângulos a imagem passa a nos refletir já dissecados, um ângulo desaprende e o outro reflete a imagem de um conhecido indo direto à boca, tal mel que nunca vence; uso-a e assim venço, não venço a quem ousa dar-me o traço pois é sempre o Outro que nos força a realidade:

Paralisia tal ponte levadiça encapuzada de guilhotina, tal rei déspota sendo enforcado, tal cadáver apodrecido sentado e em pé. É o som estridente da renúncia a rolar pelo convés, do corpo como ele é, defeca, fede, implora, necessitando de auxílio eterno, tal porco prestes a parir!

Ou se aprende a contemplar a catástrofe magnânima que é viver na paralisia, ou se morre em tal paralisia

Do corpo como ele é, defeca, fede, implora, urra; cofre ensanguentado que se despenca, que se torce, ornamenta a vista

 

 

 

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pensamentos

AnneSexton.png
tem acontecido, ultimamente, uma grande evolução da minha escrita poética. o que era parco de sentido verdadeiro tornou-se mais amplo e talvez mais sólido. mesclando o confessional dos poetas norte-americanos, a dor e satanismo de cruz e sousa e o sórdido repulsivo à carcaça humana de monsieur augusto dos anjos eu me aprimorei. há caminhos que requerem sacrifícios e o meu último destinou-se à expulsão dos meus sonhos oprimidos. chega de idealização inútil, chega de fantasias melodramáticas relacionadas a pessoas que não merecem tais pulsões. sim, pulsões. sexuais? talvez. um novo « eu » está para ser parido. um eu-estável. me cansei das minhas instabilidades que só fazem ruir o alicerce das minhas relações de longa data. saúde! à notre santé!

poésie // mental illness

En passant