prosa

naivve

de repente, o reflexo desaparece. vozes imponentes se impõem sobre a névoa marítima. o grande cérebro, o aríete que navega, forçando a entrada – traçando o suplí­cio – um a um: ah, um a um!

a pêssego maçã, tangerina romã
de lavanda sanguínea e fósforos
madressilvas efervescentes, óleos de alucinação, torrentes,

cortantes – ele, com a boca seca, entra a fora, sai a dentro – cava sonhos e oblitera terrenos!

esses tripulantes tomam de assalto a embarcação, piratas sádicos, santos maniqueístas, aberrações racionalistas e ápices tangerínicos de vaidade, tensão e aparência.

devoram romãs e repentem a si mesmos, afirmam tempestades
dar-nos-ia o consentimento

destroem os barcos de cantalupo e sândalo, cetim, ramos e remos de Armadura carmim: lançados a alto-mar: iremos nos afogar.

 

põem assim, desmancham, queimam a pele peluda da carne osso, e ossatura
mim, mim, mim, cintura
corrigir a postura
põem em causa, abraçam carapaça
tortura a carcaça
tropeço,
quando Ela exigiu o avesso – determinou aceitar todavia Ele não consentiu
oco
cada mofo, corpo, é-lhe dado um partitivo ocre e vermelho e negro e ácido
um a um – um soco no ventre!

O navio que jamais navega

En passant
pensamentos

AnneSexton.png
tem acontecido, ultimamente, uma grande evolução da minha escrita poética. o que era parco de sentido verdadeiro tornou-se mais amplo e talvez mais sólido. mesclando o confessional dos poetas norte-americanos, a dor e satanismo de cruz e sousa e o sórdido repulsivo à carcaça humana de monsieur augusto dos anjos eu me aprimorei. há caminhos que requerem sacrifícios e o meu último destinou-se à expulsão dos meus sonhos oprimidos. chega de idealização inútil, chega de fantasias melodramáticas relacionadas a pessoas que não merecem tais pulsões. sim, pulsões. sexuais? talvez. um novo « eu » está para ser parido. um eu-estável. me cansei das minhas instabilidades que só fazem ruir o alicerce das minhas relações de longa data. saúde! à notre santé!

poésie // mental illness

En passant